Propósito de vida pode ser pequeno prazer, como karateka ferozemente no dojo. Importante é direção para alegria, motivação e bem estar geral.
Aos 40 anos, João Oliveira descobriu seu propósito de vida ao se voluntariar em um abrigo de animais. Desde então, ele dedica seu tempo livre ajudando cães e gatos abandonados, trazendo alegria e bem-estar para esses animais indefesos.
Para muitas pessoas, encontrar o sentido de vida pode ser uma jornada desafiadora. No entanto, é fundamental buscar a razão para viver que nos motive a levantar da cama todas as manhãs. Encontrar o nosso propósito é essencial para viver uma vida plena e significativa.
Propósito de vida: O segredo para uma longevidade saudável e feliz
Seu dojo, que recebe alunos de todas as idades, tem as paredes cobertas por fotos suas em diferentes épocas, artigos sobre sua carreira e homenagens recebidas por suas contribuições à arte marcial.Nobuko Sensei, como é chamada, começou ainda jovem e por acaso: praticava uma dança típica de Okinawa, que exigia joelhos e coxas fortes e, para isso, seu professor lhe recomendou o karatê.
Nunca mais abandonou o esporte. ‘Pretendo praticar enquanto puder. O karatê se tornou meu marido, amigo e companheiro’, diz ela, em tom de brincadeira. Mais: tornou-se seu propósito de vida, o motivo pelo qual acorda todos os dias.Os japoneses têm um termo para isso: ikigai, ou razão para viver, na tradução literal.
Ter um propósito de vida foi apontado como um dos fatores responsáveis pela longevidade extrema encontrada nas blue zones.Nobuko Oshiro é a karateka mais bem colocada no ranking em Okinawa, no extremo sul do Japão, uma das regiões em que as pessoas vivem mais no planeta.
Foto: Gabriel MartinezBlue zones foi o nome dado a cinco regiões do planeta onde pesquisadores observaram que as pessoas vivem mais do que a média e com saúde. Nesses locais, não é incomum encontrar centenários cuidando do jardim, cavalgando, cozinhando ou trabalhando.
O impacto do ikigai na qualidade de vida e longevidade
O termo se refere às seguintes localidades:Nicoya, na Costa Rica;Loma Linda, nos Estados Unidos;Okinawa, no Japão;Icária, na Grécia;Sardenha, na Itália.Visitei essas regiões em uma expedição de dois meses para buscar entender esse e outros pilares do envelhecimento saudável – além do propósito de vida, são tratados como pontos fundamentais ter uma alimentação saudável, ser ativo e manter bons relacionamentos.
Essa é a segunda de uma série de três reportagens que explora essas questões.Continua após a publicidadeEla viajou o mundo atrás dos segredos de quem chegou aos cem anos – e isso foi o que ela descobriuAfinal, o que é propósito de vida?’O propósito de vida é um senso de direção e intencionalidade.
É algo concreto, que pode ser traduzido em objetivos e metas’, explica Cristina Ribeiro, presidente da gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Seção Paraná, que desenvolveu sua tese de doutorado sobre o tema. ‘Uma pessoa com propósito tem uma direção na vida.
Ela não está vagando, sem saber o que vai fazer.’Estudos mostram que saber por que se vive traz inúmeros benefícios à saúde no envelhecimento.
Uma revisão da literatura feita por um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior paulista, do qual Cristina faz parte, mostrou que idosos que tinham um propósito de vida tinham menos risco para doença de Alzheimer, doenças coronarianas e cerebrovasculares e distúrbios do sono.
Além disso, apresentavam melhor regulação emocional e bem estar de maneira geral.’Quem tem propósito de vida cuida mais da saúde, faz exames regulares, adere mais a tratamentos, porque quer viver mais para atingir seus objetivos’, conta.
Mas e quando não se tem um ikigai tão claro e duradouro, como Nobuko Sensei?
O que especialistas ressaltam é que o ikigai não precisa ser algo grandioso e definitivo.
Ele pode ser simples e particular – um pequeno prazer da rotina diária, que traga alegria, motivação e realização, como receber a visita dos netos, encontrar os amigos ou cuidar do jardim.É o caso Maria Moula, de 93 anos, residente da ilha grega de Icária, uma das regiões com maior número de centenários do mundo.
O que a tira da cama todos os dias hoje é o trabalho em sua horta, espalhada em dois andares no terreno onde mora.Continua após a publicidadeBaixinha, atarracada e falante, Marika, como é conhecida, cuida sozinha das verduras e legumes que cultiva, e dos quais tem imenso orgulho.
O trabalho é árduo, mas Marika não se intimida: sobe e desce as escadas carregando a enxada, agacha sem dificuldades para colher os vegetais maduros, leva toda a produção para uma área reservada. Sua dedicação lhe rendeu fama no bairro. ‘Também cuido da horta de alguns vizinhos quando eles não estão. Assim faço um dinheirinho’, afirma.Maria Moula trabalhando em sua horta.
Foto: Gabriel Martinez Com seu ikigai, Marika mostra na prática o que as pesquisas apontam: idosos com um propósito de vida tendem a desenvolver mais habilidades e a ter mais engajamento social, todos comportamentos que ajudam na longevidade.
Ao se dedicar à sua horta, Marika se mantém fisicamente ativa, consome alimentos saudáveis e socializa com outras pessoas.Do outro lado dessa escala está Trinidad Espinoza, de 107 anos, moradora da Península de Nicoya, na Costa Rica, onde se encontra um excepcional número de centenários. Doña Trini, como é chamada, é o oposto de Marika.
Extremamente frágil, move-se com dificuldade e recebe cuidados de sua filha Marta, de 70 anos. As duas vivem em condições precárias, mas Doña Trini quer continuar vivendo, apesar das necessidades.Sua família é a razão porque pede todos os dias a Deus que lhe dê mais anos. Quer estar aqui para poder conviver com seus familiares, espalhados pela Costa Rica – já são quatro gerações depois dela.
Essa resiliência diante das adversidades e a capacidade de se adaptar a novas situações, apontam os pesquisadores, também são consequência de um propósito de vida bem estabelecido.Colocar em prática 12 hábitos evitaria cerca de 50% dos casos de demência; veja quais sãoPerda de músculos começa naturalmente aos 40 anos e afeta a expectativa de vida; veja como reverterO papel da espiritualidadeContinua após a publicidadeA fé Doña Trini, aliás, é presente na vida da maioria dos idosos das blue zones. A crença em algo além de si mesmo, seja Deus, os antepassados ou uma força maior, foi identificada como um dos fatores que favorecem uma longevidade extrema e de qualidade.Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Cagliari, na Sardenha, seg […]
Fonte: @ Estadão
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